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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A psicanálise e a Educação


Ao tratar sobre o tema da sexualidade infantil, Freud defende que as crianças devem receber uma educação sexual assim que demonstrar um interesse sobre tal assunto. Ao contrário do que muitos pais e educadores se comportam diante de tal situação, ou seja, tentar educar as crianças com certos mitos que reprimem ainda mais o interesse sobre a sexualidade infantil.
No entanto, é válido ressaltar que no momento em que os educadores ou os pais passam a lidar com esse tipo de situação diante de uma criança, fica muito difícil saber concretizar tal aprendizado, uma vez que, por não lembrarem de sua época de infância, logo, fica praticamente impossível visualizar as verdadeiras duvidas que a criança realmente tem. Nesse contexto, qualquer explicação que os educadores proporcionar a uma criança, não vai adiantar, uma vez que, muito do que fora explicado, nada iria servir para a mentalidade infantil se o seu inconsciente não se satisfazer com tais explicações. Justamente por isso que o próprio inconsciente da criança irá gerar as suas próprias explicações sobre a sexualidade.
Nessa perspectiva, os professores devem abordar o seu conhecimento, sem resumir-se a métodos pedagógicos, pois tais métodos trilham objetivos, resultados e metodologias, uniformizando assim o aprendizado e não respeitam as estruturas inconscientes do subjetivismo. O professor deve lidar com uma sala de aula, negando todo o seu papel repressor imposto culturalmente e aceitar que cada aluno irá digerir o conhecimento proporcionado por ele de uma maneira singular, ou seja o aluno só irá aprender o que lhe fazer realmente sentido, tendo em vista as suas necessidades psicológicas.
Enfim, o profissional da educação deve ser menos repressor e aceitar que ao atuar em uma sala de aula, ele vai está diante de diferentes subjetividades, logo, os seus resultados esperados, não será de maneira alguma uniformizado. Portanto, o papel de um professor orientado psicanaliticamente é orientar os seus alunos a se ocuparem em atividades intelectuais, estimulando assim, o próprio processo de sublimação.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Tapa? Preocupação Real ou Distração em ano eleitoral?

Queridos amigos internautas,
Obviamente eu não poderia me abster de comentar sobre esse tal projeto de lei sobre as palmadas.
Entendo cá, na minha ignorância, que o Estatudo da Criança e do Adolescente já garante o que essa lei viria a proibir, observem transcrição:
"Art. 5º Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais."

Devo dizer que fiquei confusa após rever o Estatudo (reflexão essa aliás, que todos aqueles que têm filhos ou que trabalham com crianças e/ou adolescentes deveriam fazer vez ou outra), pois é, fiquei confusa mesmo, porque se já existe a LEI Nº 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990 , para quê criar-se outra, limitada apenas a castigos físicos? E as agressões verbais que causam traumas psicológicos, onde ficam? Ah, façam me o favor, hein?
Tenho aqui  uma pergunta aos nosso legisladores: "Isso é falta do que fazer ou é apenas para mostrar serviço em ano de eleição?"
Enquanto pensamos sobre tudo isso, sugiro que leiam o texto da Psicóloga Rosely Sayão, publicado ontem, 27 de julho de 2010, na Folha de S. Paulo, com o qual concordo ipsis litteris, sim "Tapinha dói".

um abraço a todos!
Adelaide

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Valores e aprendizados não tiram férias

Por Içami Tiba

Os filhos não podem fazer nas férias o que não poderiam fazer em um final de semana, em uma viagem, em qualquer lugar, com qualquer pessoa, principalmente no que se referem aos valores, como respeitar o próximo e fazer-se respeitar por ele, cumprir as regras sociais e familiares, cuidar e preservar a saúde e a segurança, praticar a cidadania familiar etc.

O que tira férias são as frequências às aulas, com os seus conteúdos e deveres psicopedagógicos, juntamente com o relacionamento professor-aluno, e não o viver com qualidade e o constante aprendizado da vida para sermos pessoas de "alta performance".

Mesmo chocando uns, há outros pais que querem tirar férias dos filhos pequenos porque precisam descansar, descontrair, fazer uma viagem, dar um tempo na rotina profissional e até mesmo dos filhos que não lhes dão sossego. Adultos quando chegam aos lares querem paz, e, crianças, querem pais. Todavia, não seria de se estranhar se estes filhos quisessem "se ver livres" destes pais cansados e também tão cansativos.

Adultos há que se permitem fazer em viagens, na praia, no clube ou quando estão de passagem em algum lugar o que não fariam em casa: jogar papel na sala, atirar pela janela latas e garrafas de bebidas (cascas de frutas, sacos de papel) no seu próprio jardim, deixar banheiro sujo, cuspir no tapete, fazer as necessidades nos cantos dos quartos etc. Estes adultos não estão tirando férias da sua casa, mas dando férias à educação e à civilidade. Importantes valores devem acompanhar as pessoas como se fossem a própria alma estejam onde e com quem estiverem.
Estes pais estão financiando a falta de educação, o desrespeito ao próximo, a depredação e o uso pirata do seu mundo e a negligência com os deveres sociais aos seus filhos.

Portanto, é na convivência com os filhos que os pais mostram como se comportar civilizadamente em qualquer lugar. Reforço aqui a importância da prática doméstica da educação pela cidadania familiar: ninguém pode fazer em casa o que não poderá fazer fora de casa e todos devem praticar em casa o que deverão fazer na sociedade.

A cidadania familiar nunca tira férias. Mesmo que um filho esteja de férias, longe dos pais, ele não deve fazer o que aprendeu em casa que não pode fazer: experimentar drogas é um exemplo. 

Içami Tiba

Içami Tiba é psiquiatra e educador. Escreveu "Família de Alta Performance", "Quem Ama, Educa!" e mais 25 livros.
Site: www.tiba.com.br