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quinta-feira, 24 de junho de 2010

PROGRAMAÇÃO CULTURAL DA BIBLIOTECA HANS CHRISTIAN ANDERSEN - Junho e Julho de 2010

Arraial 

Literario


ARRAIAL LITERÁRIO
Dia 24 de junho a partir das 14h

  • Correio elegante literário (distribuição de trechos de poemas)
  • Mini Sarau cordelista
  • Viola caipira
  • Barraca literária na praça (exposição de livros doados e que não pertencem ao acervo oficial da biblioteca)
  • Barraca de origami
  • Bandeirinhas com trechos de poemas, letras de músicas e títulos de livros da biblioteca
  • Contação de história caipira
  • Quadrinha poética (Ao final da roda, quem está sem par lê um trecho do poema “Quadrilha” de Carlos Drummond de Andrade).

Quadrilha - Carlos Drummond de Andrade

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.

João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento.
Raimundo morreu de desastre. Maria ficou para tia.
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.




TEATRO
A Rainha da Neve
Com Cia. do Mar
O espetáculo teatral é realizado a partir de manipulação de bonecos e outros objetos cênicos, e conta a história de um gênio do mal inventa um espelho que possui a estranha propriedade de transformar em pessoas más e arrogantes todos aqueles que se mirem nele. Enquanto isso Gerda e Key, duas crianças, plantam e cuidam das rosas e das flores que existem no jardim de suas casas. Repentinamente o espelho do mal se quebra e um dos estilhaços atinge Key que muda completamente seu comportamento, tornando-se uma criança perversa, preocupando sua amiga, Gerda. A partir daí, muitas surpresas e situações que os amigos enfrentam juntos.
Público de 4 a 10 anos. Duração: 50 minutos aproximadamente.
Dia 26 de junho às 16h

CONTAÇÕES DE HISTÓRIAS

A Bola da Lua
Com Cia das Cores
Um projeto de narrativa de histórias e poesias que traduzem a beleza, a poética, os mistérios, os devaneios e os sonhos que a lua alimenta.
Três contadores e dois bonecos (sol e lua) utilizam uma narrativa com ação e declamação de poesias. Executam alguns instrumentos, como a sanfona, a flauta, o pandeiro, o surdo e alguns objetos sonoros nas canções e nos efeitos sonoros.
Com uma linguagem revestida de lirismo, graça e fantasia, o projeto estimula o público a mergulhar na riqueza imaginária que a história oral oferece.
A partir de 3 anos.
Necessário agendamento prévio para escolas/instituições pelo telefone 2295-3447.
Dia 29 de junho às 10h e às 14h



FORMAÇÃO PARA CONTADORES DE HISTÓRIAS: CONTANDO HISTÓRIAS COM OBJETOS
Com Kelly Orasi. Para contadores de histórias, professores e interessados.
Os recursos do teatro de objetos para a ilustração da arte de contar histórias. Objeto e sua carga de significados. A inserção do objeto na narrativa oral e a sutileza da manipulação.
Inscrições na biblioteca - vagas limitadas.
Dia 8 de julho das 9h às 13h

OS SONS DAS HISTÓRIAS
Com Wilson Dias. Para contadores de histórias, professores e interessados.
O objetivo da oficina é enriquecer o trabalho do contador de histórias despertando a criatividade, fomentando a criação de novos equipamentos sonoros com materiais alternativos e também possibilidades sonoras com o corpo.
Inscrições nas bibliotecas - vagas limitadas.
Dia 13 de julho das 9h às 13h

OFICINA DE BRINCADEIRAS E DANÇAS DA TRADIÇÃO POPULAR BRASILEIRA
Com Elizabeth Menezes, intérprete, criadora e educadora com especialização em Arte do Movimento. 120 min.
A oficina vai explorar temas relacionados ao contexto da cultura popular e os espaços da dança (pessoal, físico e social) com o lúdico do corpo em movimento. O aquecimento do corpo será realizado com foco nas articulações, brincadeiras de montar e pular amarelinhas no chão e danças com improvisação de bastes.
Dia 15 de julho às 13h.


RODA DE HISTÓRIAS
Com alunos do curso para Contadores de Histórias.
Apresentação final dos alunos do “Curso de Formação para Contadores de História” da Biblioteca Hans Christian - 1º semestre de 2010. Resgatará a memória afetiva e o prazer de ouvir histórias.
Dias 20 e 27 de julho às 10h


PALESTRA
Ação Cultural em Bibliotecas Públicas e Escolares
Com Maria Helena T. C. de Barros – bibliotecária, professora Doutora em Ciências da Comunicação pela USP (1994).
Serão abordados os seguintes tópicos:
  • Ação Cultural: distinção entre termos (atividade cultural, programação cultural, animação cultural);
  • Ação Cultural: conceito (cf. Flusser, Milanesi, Teixeira);
  • Ação Cultural: esquema gráfico;
  • Ação Cultural: possibilidades através da biblioteca (interferência sócio-cultural na comunidade);
    • a) biblioteca pública (público variado / interesses variados);
    • b) biblioteca escolar (público: estudantes, professores, funcionários, comunidade próxima) e (interesses: complemento pedagógico, atualização do conhecimento, lazer educativo, participação em projetos);
  • Bibliografia básica recomendada.
Dia 29 de julho às 14h





CURSOS

CURSO BÁSICO DE FORMAÇÃO PARA CONTADORES DE HISTÓRIAS
De 20 de março a 13 de julho, sábados, das 9h às 13h
Iniciando as atividades de formação em 2010, o próximo Curso Básico de Formação para Contadores de Histórias acontecerá de 20 de março a 13 de julho, na Biblioteca Hans Christian Andersen. O curso acontecerá aos sábados, das 9h às 13h, e terá carga horária de 60 horas.
30 vagas. Para professores e contadores de histórias.

Selecionados para Curso Básico de Formação de Contadores de História

1. JOSÉ CARNEIRO LAIA
2. ADRIANA DE FÁTIMA NUNES
3. CILENE VIEIRA
4. ALINE RENATA E.PRADO
5. SARAH ELISA VIANA
6. LUCIANA PORTO DOS SANTOS
7. MARTA SANDRA NUNES
8. RUI DOURADO DE CASTRO
9. MARIANA BRAMBILLA DA SILVA
10. ANELISE MAYUMI SOARES
11. MARIA ISABEL ANTUNES
12. IOLANDA DO PATROCÍNIO NUNES
13. MARIA JOSÉ RIBEIRO MARTINS
14. MARIA DE JESUS CAMPOS SOUZA
15. MARCIO T. PELEGRINI
16. EDNA ANTONIA  DA SILVA
17. SILVIA DA CONCEIÇÃO ALONSO
18. THAIS PIRES SARTO
19. CRISTIANE DA SILVA PICCOLI
20. ANDRÉ OIDES MATOSO E SILVA
21. ANDRÉ SIMPRINI DE SOUZA
22. MARCELO OLIVEIRA DE CAMPOS
23. JEFFERSON WILLIAN S. DE CARVALHO
24. GABRIELA C. ZANOLA DE SOUZA
25. LARISSA FERREIRA T. VIEIRA
26. CRISTIANE DO REGO
27. MARIANA DONEUX FERREIRA
28. THAIS DE ALMEIDA BESSA
29. LENY DE SOUZA
30. SANDRA TAGLURI


Veja também o Blog da Biblioteca Hans Christian Andersen

VISITA MONITORADA


Visita Monitorada com Contação de Histórias
Às 3ª feiras, a partir das 9h, mediante agendamento prévio

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Livros para uma cuca bacana

Afinal, por que ler?

Parece até que a gente sabe esta resposta... mas, no fundo, ainda temos dúvida do papel da literatura em nossas vidas

Cristiane Rogerio

 Shutterstock
Pelo peso intelectual que ela carrega, a palavra literatura muitas vezes pode causar certo “hummm, mas será que é para mim, isso?”, “humm, será que eu vou ter tempo?”, “hummmm, será que eu vou entender?”.

Uma das maravilhas que o livro infantil faz conosco é que ele quase sempre vem, digamos, acompanhado de uma criança. E, sob essa companhia, somos levados à liberdade de pegar um livro sem-saber-nada-antes. Permitimos que esta leitura nos cause espanto, emoção, surpresa, gargalhada... É uma delícia, apenas esperando ser tocada por ela.

Muitas vezes, mesmo quando somos ávidos leitores, precisamos nos perguntar por que, de fato, lemos. Pois lemos para nos “mantermos humanos”. Para conversar com nossos sentimentos, com nossas angústias e alegrias. Estou começando a leitura de A Casa Imaginária (Ed. Globo), da colombiana Yolanda Reyes, uma pesquisadora da arte de incentivar a ler. Lá, ela traz uma definição de literatura. Começa com um adendo à própria palavra: “É uma fonte de nutrição a que a criança recorre em busca de ferramentas mentais e simbólicas para organizar o fluxo dos acontecimentos e situar-se e revelar-se e decifrar-se, também ela, na cadeia temporal instaurada na linguagem. Enquanto na beira da cama o pai conta uma história de monstros ou versões de Cachinhos Dourados, Os Três Porquinhos ou de qualquer outro conto, ele apresenta pistas: umas visíveis, outras invisíveis.” Será que temos ideia do que estamos fazendo ao ler um livro com uma criança?

É muito complexa esta relação que se estabelece entre o adulto que lê e a criança que ouve, a criança que aprende a entender que o livro o papel de também conversar com ela. Yolanda continua: “Resguardado na atmosfera protetora de seu quarto, o filho ‘lê’ na voz, no rosto, nas ilustrações e nas palavras do pai que as coisas difíceis ou monstruosas podem ser designadas na linguagem cifrada do relato, sem necessidade de submeter-se a confissões incômodas que talvez nenhum dos dois tenha interesse em revelar”.

Percebem a profundidade desse momento? E dá também, por meio disso, entender como é importante começar cedo. Ou a gente adia as demonstrações de afeto pelas crianças? Ler com a criança é muito mais do que reconhecer letras e descobrir significados: mostra que a vida de todos nós é repleta de caminhos, que, como nos livros, as histórias têm começos, meios e finais, pois a vida tem seus ciclos, com nuances e escolhas. Quem não precisa conversar sobre isso?
Ricardo Fiorotto


Cristiane Rogerio é editora de Educação e Cultura da Crescer e adora se perder entre os livros.
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terça-feira, 1 de setembro de 2009

Educar para a Compaixão, por Rubem Alves

"A boca fala do que está cheio o coração": esse é um ditado da sabedoria judaica que se encontra nas escrituras sagradas.

Bem que poderia ser a explicação sumária daquilo que a psicanálise tenta fazer: ouvir o que a boca fala para chegar ao que o coração sente. Acontece comigo. Cada texto é uma revelação do coração de quem escreve. Pois o meu coração ficou cheio com uma coisa que me disse minha neta Camila, de 11 anos. O que ela falou fez meu coração doer. Como resultado, fico pensando e falando sempre a mesma coisa.

A Camila estava na sala de televisão sozinha, chorando. Fui conversar com ela para saber o que estava acontecendo. E foi isso que ela me disse:

- "Vovô, quando eu vejo uma pessoa sofrendo, eu sofro também. O meu coração fica com o coração dela".

Percebi que o coração da Camila conhecia aquilo que se chama "compaixão". Compaixão, no seu sentido etimológico, quer dizer "sofrer com". Não estou sofrendo, mas vejo uma pessoa sofrer. Aí, eu sofro com ela. Ponho o outro dentro de mim. Esse é o sentido do amor: ter o outro dentro da gente. O apóstolo Paulo escreveu que posso dar tudo o que tenho aos pobres, mas, se me faltar o amor, nada serei, porque posso dar com as mãos sem que o coração sinta.

De que vale o conhecimento sem compaixão?

Todas as atrocidades que caracterizam os nossos tempos foram feitas com a cumplicidade do conhecimento científico.

A compaixão é uma maneira de sentir. É dela que brota a ética.

Alguém foi se aconselhar com Santo Agostinho sobre o que fazer numa determinada situação. Ele respondeu curto e definitivo:

- "Ama e faz o que quiseres".

Pois não é óbvio? Se tenho compaixão, nada de mau poderei fazer a quem quer que seja.

Fernando Pessoa escreveu um curto poema em que descreve a sua compaixão.

Por favor, leia devagar:

- "Aquele arbusto fenece, e vai com ele parte da minha vida. Em tudo quanto olhei fiquei em parte. Com tudo quanto vi, se passa, passo. Nem distingue a memória do que vi do que fui". Compaixão por um arbusto... Ele explica esse mistério da alma humana dizendo que "em tudo quanto olhei fiquei em parte. Com tudo quanto vi, se passa, passo...". Os olhos, movidos pela compaixão, o faziam participante da sorte do pequeno arbusto.

Eu já sabia disso, mas nunca havia enchido o meu coração a ponto de doer. Doeu porque liguei a fala da Camila a essa tristeza que está acontecendo no Brasil. Os corruptos são homens que passaram pelas escolas, são portadores de muitos saberes. Tendo tantos saberes, o que lhes falta?

Falta-lhes compaixão. A falta de compaixão é uma perturbação do olhar.

Olhamos, vemos, mas a coisa que vemos fica fora de nós. Vejo os velhos e posso até mesmo escrever uma tese sobre eles, se eu for um professor universitário, mas a tristeza do velho é só dele, não entra em mim. Durmo bem. Nossas florestas vão aos poucos se transformando em desertos, mas isso não me faz sofrer. Não as sinto como uma ferida na minha carne.

Vejo as crianças mendigando nos semáforos, mas não me sinto uma criança mendigando em um semáforo. Vejo os meus alunos nas salas de aulas, mas meu dever de professor é dar o programa e não sentir o que os meus alunos estão sentindo. De que vale o conhecimento sem compaixão?

Todas as atrocidades que caracterizam os nossos tempos foram feitas com a cumplicidade do conhecimento científico. Parece que a inteligência dos maus é mais poderosa que a inteligência dos bons. Sabemos como ensinar saberes. Há muita ciência escrita sobre isso. Não me lembro, no entanto, de nenhum texto pedagógico que se proponha a ensinar a compaixão. Talvez o livrinho "Como Amar uma Criança", do Janusz Korczak - mas Korczak é uma exceção. Ele sabia que, para ensinar algo a uma criança, é preciso amá-la primeiro. Korczak era um romântico. Por isso o amo. Aí, fiz a mim mesmo uma pergunta pedagógica:

-"Como ensinar a compaixão?".

Conversando sobre isso com minha filha Raquel, arquiteta, ela se lembrou de um incidente dos seus primeiros anos de escola, quando ainda era uma menina de sete anos. Seria o aniversário da faxineira, uma mulher que todos amavam. A classe se reuniu para escolher o seu presente. Ganhou por unanimidade que, no dia do seu aniversário, as crianças fariam o seu trabalho de faxina. Disse-me a Raquel que a faxineira chorou.

Sei que as crianças aprendem com um olhar especial, o olhar de suas professoras. Elas sabem quando as professoras as olham com os mesmos olhos com os quais Fernando Pessoa olhava o arbusto quando escreveu o poema. Sei também que as histórias provocam compaixão quando o leitor se identifica com um personagem. Sei de um menininho que se pôs a chorar ao final da história "O Patinho que Não Aprendeu a Voar". Ele teve compaixão do patinho. Identificou-se com ele. Vai carregar o patinho dentro de si, embora o patinho não exista.

Lemos histórias para as crianças e para nós mesmos não só para ensinar a nossa língua, mas também para ensinar a compaixão. Mas continuo perdido.

Preciso que vocês me ajudem. Como se pode ensinar a compaixão?

por Rubem Alves
Site do autor: www.rubemalves.com.br

Ilha das flores