quarta-feira, 16 de junho de 2010

Programação Cultural - Sistema Municipal de Bibliotecas - SP - de 17/6 a 22/6 de 2010

Destaques: Credenciamento de contadores e oficineiros + Lirinha e Marcelino Freire + Teatro Infantil.

Até 20 de julho, estão abertas inscrições para a seleção de interessados em desenvolver atividades culturais na rede de bibliotecas públicas de São Paulo.
O cadastramento será realizado em cinco modalidades: oficinas livres, oficinas dos projetos "A Hora e Vez do Vestibular" e "Fanzines nas Zonas de Sampa", Contações de Histórias e RPG (nas sub-modalidades oficina, RPG de mesa e RPG live-action).
Para saber mais e ler o edital, clique aqui.


Confira a programação dia a dia:


|DIA 17, QUINTA|

CONTAÇÕES DE HISTÓRIAS: O ROUXINOL DO IMPERADOR
Com Cia Ilustrada.
Tudo era lindo e majestoso naquele rico império chinês. De todos os países do mundo vinha gente visitar o império, e todos achavam a cidade linda; os jardins eram lindos, o palácio lindo... Mas quando ouviam o canto do rouxinol, diziam: - Isso é o que há de mais lindo.
O imperador desconhecia a existência do pássaro, ele o descobre ao receber um livro de presente no qual está escrito que a maior beleza de seu reino era o canto do rouxinol. Surpreso, ordenou que o procurassem. O rouxinol encantou tanto que fez o imperador chorar. Depois de um tempo, ele recebeu de presente um sofisticadíssimo rouxinol mecânico. Diante do sucesso do outro, o primeiro rouxinol é expulso do palácio. Todas as noites o rouxinol artificial cantava, até que um dia quebrou. Consertado, só poderia cantar uma vez ao ano. Depois de alguns anos, o imperador adoeceu e em uma noite, sentiu que a morte se aproximava. Então, uma linda canção quebrou o silêncio. Era o rouxinol de verdade pousado num galho lá fora, que ouvira falar da doença do imperador.
De 4 a 9 anos.
Necessário agendamento prévio para escolas/instituições pelo telefone 2295-3447.
/ BP Hans Christian Andersen. Dia 17, quinta, às 10h e às 14h.

CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS: METAMORFOSES
Com Cia Cantando Histórias. Livre.
A capacidade de se reinventar e alçar voo. Histórias são como convites da sabedoria a nos conduzir aos caminhos do conhecimento, da felicidade e da realização pessoal. O grupo trabalhará contos e cantos que abrangem novas possibilidades de superação.
/ BP Mário Schenberg. Dia 17, quinta, às 14h.

OFICINA DE BRINCADEIRAS
Com Renata Meirelles.
Oficina baseada no Projeto BIRA (Brincadeiras Infantis da Região Amazônica), uma iniciativa autônoma de pesquisa. Coordenado e executado pela educadora Renata Meirelles e pelo documentarista David Reeks, o Projeto visitou em 2001 dezesseis comunidades ribeirinhas e indígenas na Amazônia, conhecendo como vivem e do que brincam as crianças da região. O objetivo geral desse projeto é conhecer, registrar e divulgar o patrimônio lúdico cultural infantil da região Norte do Brasil. O lúdico aproxima realidades sem que se perca sua diversidade.
/ BP Raul Bopp. Dias 17 e 24, quintas, às 14h.

A HORA E A VEZ DO VESTIBULAR
O Projeto A Hora e Vez do Vestibular, uma iniciativa da Secretaria Municipal de Cultura, por meio de uma parceria entre o Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso e a Coordenadoria do Sistema Municipal de Bibliotecas, é uma oportunidade ímpar de aprofundar a compreensão e debater os gêneros e estilos literários dos nove títulos exigidos pelos vestibulares das principais universidades públicas.
Palestras com o Prof. Lisângela Peruzzo
•17 de junho – "Capitães de Areia", de Jorge Amado
•24 de junho – "Antologia Poética", de Vinicius de Moraes
/ BP Mário Schenberg. Quintas, das 14h às 16h.

CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS: CONTOS CASCUDOS
Com Andréa de Sousa. De 8 a 11 anos.
Sessões de contos divertidos, advinhas e estórias de enrolar coletados por Câmara Cascudo.
Prévio agendamento nos telefones: 5687- 0408 e 5691-0433, com Andréa de Sousa.
/ BP Belmonte. Dia 17, quinta, às 14h30.

PROJETO “CONTA COMIGO”
Núcleo de estudos sobre a arte de contar histórias, envolvendo contadores da rede da zona sul de Bibliotecas e formandos em Pedagogia e Letras da UNIÍTALO. Coord.: Profa. Ivani Magalhães e Contadora Andréa de Sousa.
/ BP Belmonte. Dias 17, 22, 23, 24 e 30 - horários, locais e agendamentos, pelo telefone 5687-0408 com Andréa Sousa.


|DIA 18, SEXTA|


PALESTRA: ARTE DE VENDER COM RIMAS E LANÇAMENTO DE LIVRO COM LUIZ WILSON
A palestra Treinamento Rima com Divertimento, criado pelo poeta, escritor e supervisor comercial, Luiz Wilson. Integrando o evento, será realizado também o lançamento do livro Vendendo e Aprendendo em Cordel, obra adaptada da palestra pelo autor.
A palestra abordará as principais ferramentas de desenvolvimento e motivação a gerentes, vendedores e profissionais de todas as áreas relacionadas à venda. O encontro reunirá desde empresários, jovens empreendedores e vendedores das mais diversas áreas, a poetas, músicos e apreciadores da cultura popular, já que sua palestra é toda desenvolvida através da música e do cordel. “Depois desse treinamento, as empresas acresceram cerca de 40% em suas vendas”. Revela Luiz Wilson. Nessa metodologia, o poeta trabalha com descontração em linguagem rimada e poética, inédita na área, o passo a passo da venda, iniciada desde o atendimento até o fechamento e a pós-venda. Wilson apresentará ao público, abordagens eficazes, mostrando como a irreverência das rimas pode ser uma valiosa ferramenta para os negócios, uma vez que o cliente se sente mais próximo do vendedor.
/ BP Belmonte. Dia 18, sexta, às 18h.


|DIA 19, SÁBADO|


OFICINA DE QUADRINHOS EM XILOGRAVURA
Essa oficina leva ao público uma linguagem que desenvolve e estimula a criatividade para o desenho, escrita e leitura. Ministrada pelo artista Ezequiel. Para crianças a partir de 7 anos alfabetizadas.
/ BP Belmonte. Dias 19 e 26, sábados, das 9h30 às 12h30.

SARAU LITERO MUSICAL
Responsável pelo evento: Poeta Wilson Oliveira Jasa
Apoio: Movimento poético em São Paulo
Casa do Poeta Lampião de Gás de São Paulo
Sociedade Mundial dos Poetas
/ BP Hans Christian Andersen. Dia 19, sábado, às 13h.


WORKSHOP PARA CRIANÇAS DE MÚSICA AO VIVO PARA CINEMA - LÍVIO TRAGTENBERG
Uma opção divertida e criativa para as crianças, que irão criar a trilha sonora para pequenos filmes mudos de animação com objetos e instrumentos musicais, envolvendo a fantasia e criatividade dos participantes. Ao final, os participantes fazem uma apresentação informal do resultado sonorizando um filme curto de animação japonês.
Entre os filmes, animações japonesas clássicas e As aventuras do Príncipe Ahmed, de Lotte Reiniger.
Emissão de certificado de participação.
Inscrições pelo telefone 2092-4570 de 2ª a 6ª feira das 8h ás 17h
De 7 a 12 anos. 30 vagas.
/ BP Cassiano Ricardo. Dia 19, sábado, das 15h às 18h.

SHOW - ANOS 60, 70 E 80...... O REVIVAL!
Edinho, Anderson, Davi e Luiz, musicistas que integram o grupo: Maison 3, de Itapecerica da Serra, e pesquisam trajetórias de grandes nomes da música pop nacional e internacional, apresentam repertório especialmente escolhido que marcou os anos 60, 70 e 80.
/ BP Belmonte. Dia 19, sábado, às 16h.

PARCERIAS: A VOZ DA POESIA
Idealização e curadoria: Ademir Assunção
Desde a Antiguidade, a poesia esteve próxima da música. Os aedos gregos cantavam seus poemas em praças públicas. Os poetas provençais da Idade Média viajavam como autênticos saltimbancos levando notícias de um lugar a outro através de seus poemas cantados. Na era do disco, do CD e da eletrônica, trovadores elétricos e eletrificados continuaram “metendo poesia onde devia e não devia”, como já versejou o poeta Waly Salomão. Retirar senha com 30 minutos de antecedência.
No projeto Parcerias: A Voz da Poesia, este ano em sua segunda edição, poetas e compositores parceiros se encontram para falar sobre esses e outros assuntos. Em seguida, o(a) compositor(a)/cantor(a) apresenta seu show dando ênfase em poemas musicados. Retirar senha 30 minutos antes. São sete encontros quinzenais, de maio a julho, sábados, às 18h30.
Marcelino Freire e José Paes de Lira (Lirinha)
•Marcelino Freire, escritor, é autor de Angu de Sangue e Contos Negreiros, vencedor do Prêmio Jabuti 2006, entre outros livros. Vários de seus contos foram adaptados para teatro. É criador e curador da Balada Literária, evento que reúne anualmente uma centena de escritores pelo bairro da Vila Madalena, São Paulo.
•José Paes de Lira (Lirinha) é poeta, compositor e ator. Com o grupo Cordel do Fogo Encantado lançou os cds Cordel do Fogo Encantado (2000), O Palhaço do Circo sem Futuro (2002) e Transfiguração (2006). Concebeu o espetáculo solo Mercadorias e Futuro (2008). Escreve canções para cinema e teatro.
/ BP Alceu Amoroso Lima. Dia 19, sábado, às 18h30.

TEATRO: SANGUE SECO
Cia. Monalisa de Teatro. 60 minutos. A partir de 14 anos.
Uma mulher que cultivou durante anos o hábito de assistir casamentos narra momentos de sua vida. Através de sons e trechos de música, ela estabelece um diálogo imaginário com uma figura fundamental em sua história. Realidade e fantasia se misturam e as impressões desta mulher diante da própria existência, do amor e da morte são reveladas.
/ BP Viriato Corrêa. Dia 19, sábado, às 20h.


|DIA 20, DOMINGO|

TEATRO: A RAINHA DA NEVE
Com Cia. do Mar. 50 min. 04 a 10 anos.
O espetáculo teatral é realizado a partir de manipulação de bonecos e outros objetos cênicos, e conta a história de um gênio do mal inventa um espelho que possui a estranha propriedade de transformar em pessoas más e arrogantes todos aqueles que se mirem nele. Enquanto isso Gerda e Key, duas crianças, plantam e cuidam das rosas e das flores que existem no jardim de suas casas. Repentinamente o espelho do mal se quebra e um dos estilhaços atinge Key que muda completamente seu comportamento, tornando-se uma criança perversa, preocupando sua amiga, Gerda. A partir daí, muitas surpresas e situações que os amigos enfrentam juntos.
/ BP Viriato Corrêa. Dia 20, domingo, às 14h.


|DIA 22, TERÇA|

TEATRO: A RAINHA DA NEVE
Com Cia. do Mar. 50 min. 04 a 10 anos.
O espetáculo teatral é realizado a partir de manipulação de bonecos e outros objetos cênicos, e conta a história de um gênio do mal inventa um espelho que possui a estranha propriedade de transformar em pessoas más e arrogantes todos aqueles que se mirem nele. Enquanto isso Gerda e Key, duas crianças, plantam e cuidam das rosas e das flores que existem no jardim de suas casas. Repentinamente o espelho do mal se quebra e um dos estilhaços atinge Key que muda completamente seu comportamento, tornando-se uma criança perversa, preocupando sua amiga, Gerda. A partir daí, muitas surpresas e situações que os amigos enfrentam juntos.
/ BP Mário Schenberg. Dia 22, terça, às 10h.


OFICINAS: OFICINA DE BRINCADEIRAS E DANÇAS DA TRADIÇÃO POPULAR BRASILEIRA
Com Elizabeth Menezes, intérprete, criadora e educadora com especialização em Arte do Movimento.
A oficina vai explorar temas relacionados ao contexto da congada e os espaços da dança (pessoal, físico e social) com o lúdico do corpo em movimento. O aquecimento do corpo será realizado com foco nas articulações, brincadeiras de mão, traçar e pular amarelinhas no chão e dançar congada com improvisação de bastões.
/ BP Belmonte. Dia 22, terça, às 14h.

OFICINAS: O LÚDICO, A ARTE MEIO AMBIENTE
O intuito é desenvolver a percepção do olhar para o meio ambiente trabalhando de forma lúdica a questão da arte e reutilização de materiais que estão presentes no cotidiano dando a eles uma qualidade plástica.
/ BP Raul Bopp. Dia 22, terça, das 14h às 17h.


O RATO ROEU A ROUPA DO REI RICARDO
Adaptação do conto A Roupa Nova do Imperador, de Hans Christian Andersen. Elenco da Trupe di Cinco: Alexandre, Edson e Léo. Texto e direção: Paulo Bueno. Público infanto-juvenil.
/ BP Belmonte. Dia 22, terça, às 15h.

ESCRITA ABERTA
Espaço coletivo de crítica e criação literária, aberto à participação de todos os interessados, desde que já rabisquem algumas linhas. Não há restrição quanto a gênero ou estilo. Os encontros são dedicados à discussão de temas, conteúdos, formas, publicações, processos de escrita e, principalmente, à criação.
/ BP Alceu Amoroso Lima. Dias 22 e 29, terça, das 15h às 17h.


SERVIÇO:
/ Biblioteca Pública Alceu Amoroso Lima. Rua Henrique Schaumann, 777, Pinheiros, Zona Oeste. Tel. 3082-5023. Veja como chegar.
/ Biblioteca Pública Viriato Corrêa. 101 lugares. Rua Sena Madureira, 298, Vila Mariana, Zona Sul. Tel. 5573-4017. Veja como chegar.
/ Biblioteca Pública Cassiano Ricardo. Av. Celso Garcia, 4200, Tatuapé, Zona Leste. Tel. 2092-4570 / 2092-9952. Veja como chegar.
/ Biblioteca Pública Belmonte. Rua Paulo Eiró, 525, Santo Amaro, Zona Sul. Tel. 5687-0408 / 5691-0433. Veja como chegar.
/ Biblioteca Pública Hans Christian Andersen. Av. Celso Garcia, 4142, Tatuapé. Tel. 2295-3447. Veja como chegar.
/ Biblioteca Pública Mário Schenberg. Rua Catão, 611, Lapa, Zona Oeste. Tel. 3675-1681 / 3672-0456. Veja como chegar.
/ Biblioteca Pública Raul Bopp. Rua Muniz de Souza, 1155, Aclimação, Zona Sul. Tel. 3208-1895. Veja como chegar.

Toda a programação é gratuita. Visite o site: www.bibliotecas.sp.gov.br

Livros para uma cuca bacana

Afinal, por que ler?

Parece até que a gente sabe esta resposta... mas, no fundo, ainda temos dúvida do papel da literatura em nossas vidas

Cristiane Rogerio

 Shutterstock
Pelo peso intelectual que ela carrega, a palavra literatura muitas vezes pode causar certo “hummm, mas será que é para mim, isso?”, “humm, será que eu vou ter tempo?”, “hummmm, será que eu vou entender?”.

Uma das maravilhas que o livro infantil faz conosco é que ele quase sempre vem, digamos, acompanhado de uma criança. E, sob essa companhia, somos levados à liberdade de pegar um livro sem-saber-nada-antes. Permitimos que esta leitura nos cause espanto, emoção, surpresa, gargalhada... É uma delícia, apenas esperando ser tocada por ela.

Muitas vezes, mesmo quando somos ávidos leitores, precisamos nos perguntar por que, de fato, lemos. Pois lemos para nos “mantermos humanos”. Para conversar com nossos sentimentos, com nossas angústias e alegrias. Estou começando a leitura de A Casa Imaginária (Ed. Globo), da colombiana Yolanda Reyes, uma pesquisadora da arte de incentivar a ler. Lá, ela traz uma definição de literatura. Começa com um adendo à própria palavra: “É uma fonte de nutrição a que a criança recorre em busca de ferramentas mentais e simbólicas para organizar o fluxo dos acontecimentos e situar-se e revelar-se e decifrar-se, também ela, na cadeia temporal instaurada na linguagem. Enquanto na beira da cama o pai conta uma história de monstros ou versões de Cachinhos Dourados, Os Três Porquinhos ou de qualquer outro conto, ele apresenta pistas: umas visíveis, outras invisíveis.” Será que temos ideia do que estamos fazendo ao ler um livro com uma criança?

É muito complexa esta relação que se estabelece entre o adulto que lê e a criança que ouve, a criança que aprende a entender que o livro o papel de também conversar com ela. Yolanda continua: “Resguardado na atmosfera protetora de seu quarto, o filho ‘lê’ na voz, no rosto, nas ilustrações e nas palavras do pai que as coisas difíceis ou monstruosas podem ser designadas na linguagem cifrada do relato, sem necessidade de submeter-se a confissões incômodas que talvez nenhum dos dois tenha interesse em revelar”.

Percebem a profundidade desse momento? E dá também, por meio disso, entender como é importante começar cedo. Ou a gente adia as demonstrações de afeto pelas crianças? Ler com a criança é muito mais do que reconhecer letras e descobrir significados: mostra que a vida de todos nós é repleta de caminhos, que, como nos livros, as histórias têm começos, meios e finais, pois a vida tem seus ciclos, com nuances e escolhas. Quem não precisa conversar sobre isso?
Ricardo Fiorotto


Cristiane Rogerio é editora de Educação e Cultura da Crescer e adora se perder entre os livros.
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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Valores e aprendizados não tiram férias

Por Içami Tiba

Os filhos não podem fazer nas férias o que não poderiam fazer em um final de semana, em uma viagem, em qualquer lugar, com qualquer pessoa, principalmente no que se referem aos valores, como respeitar o próximo e fazer-se respeitar por ele, cumprir as regras sociais e familiares, cuidar e preservar a saúde e a segurança, praticar a cidadania familiar etc.

O que tira férias são as frequências às aulas, com os seus conteúdos e deveres psicopedagógicos, juntamente com o relacionamento professor-aluno, e não o viver com qualidade e o constante aprendizado da vida para sermos pessoas de "alta performance".

Mesmo chocando uns, há outros pais que querem tirar férias dos filhos pequenos porque precisam descansar, descontrair, fazer uma viagem, dar um tempo na rotina profissional e até mesmo dos filhos que não lhes dão sossego. Adultos quando chegam aos lares querem paz, e, crianças, querem pais. Todavia, não seria de se estranhar se estes filhos quisessem "se ver livres" destes pais cansados e também tão cansativos.

Adultos há que se permitem fazer em viagens, na praia, no clube ou quando estão de passagem em algum lugar o que não fariam em casa: jogar papel na sala, atirar pela janela latas e garrafas de bebidas (cascas de frutas, sacos de papel) no seu próprio jardim, deixar banheiro sujo, cuspir no tapete, fazer as necessidades nos cantos dos quartos etc. Estes adultos não estão tirando férias da sua casa, mas dando férias à educação e à civilidade. Importantes valores devem acompanhar as pessoas como se fossem a própria alma estejam onde e com quem estiverem.
Estes pais estão financiando a falta de educação, o desrespeito ao próximo, a depredação e o uso pirata do seu mundo e a negligência com os deveres sociais aos seus filhos.

Portanto, é na convivência com os filhos que os pais mostram como se comportar civilizadamente em qualquer lugar. Reforço aqui a importância da prática doméstica da educação pela cidadania familiar: ninguém pode fazer em casa o que não poderá fazer fora de casa e todos devem praticar em casa o que deverão fazer na sociedade.

A cidadania familiar nunca tira férias. Mesmo que um filho esteja de férias, longe dos pais, ele não deve fazer o que aprendeu em casa que não pode fazer: experimentar drogas é um exemplo. 

Içami Tiba

Içami Tiba é psiquiatra e educador. Escreveu "Família de Alta Performance", "Quem Ama, Educa!" e mais 25 livros.
Site: www.tiba.com.br

domingo, 31 de janeiro de 2010

Volta às aulas, cuidado com o Bullying!!!

A crônica a seguir, escrita por Rubem Alves, explica bem a situação na qual alguns jovens e crianças, infelizmente, se encontram, no Brasil.
Pais e educadores, abram os olhos cedo, não esperem para agirem, observem atentamente seus filhos, às vezes eles não têm coragem para contar, mas seus atos e comportamentos falam por eles.
Vamos juntos lutar contra esse mal chamado "Bullying"!



A forma escolar de tortura

Eu fui vítima dele. Por causa dele odiei a escola. Nas minhas caminhadas passadas eu o via diariamente. Naquela adolescente gorda de rosto inexpressivo que caminhava olhando para o chão. E naquela outra, magricela, sem seios, desengonçada, que ia sozinha para a escola. Havia grupos de meninos e meninas que iam alegremente, tagarelando, se exibindo, pelo mesmo caminho... Mas eles não convidavam nem a gorda e nem a magricela. Dediquei-me a escrever sobre os sofrimentos a que as crianças e adolescentes são submetidos em virtude dos absurdos das práticas escolares. Mas nunca pensei sobre os sofrimentos que colegas infligem a colegas seus. Talvez eu preferisse ficar na ilusão de que todas as crianças e todos os adolescentes são vítimas. Não são. Crianças e adolescentes podem ser cruéis.
“Bullying” é o nome dele. Fica o nome inglês porque não se encontrou palavra em nossa língua que seja capaz de dizer o que “bullying” diz. “Bully” é o valentão: um menino que, em virtude de sua força e de sua alma deformada pelo sadismo tem prazer em intimidar e bater nos mais fracos. Vez por outra as crianças e adolescentes brigam em virtude de desentendimentos. São brigas que têm uma razão. Acidentes. Acontecem e pronto. Não é possível fazer uma sociologia dessas brigas. Depois da briga os briguentos podem fazer as pazes e se tornarem amigos de novo. Isso nada têm a ver com o “bullying”. No “bullying” um indivíduo, o valentão, ou um grupo de indivíduos, escolhe a sua vítima que vai ser o seu “saco de pancadas”. A razão? Nenhuma. Sadismo. Eles “não vão com a cara” da vítima. É preciso que a vítima seja fraca, que não saiba se defender. Se ela fosse forte e soubesse se defender a brincadeira não teria graça. A vítima é uma peteca: cada um bate e ela vai de um lado para outro sem reagir. Do “bulling” pode-se fazer uma sociologia porque envolve muitas pessoas e tem continuidade no tempo. A cada novo dia, ao se preparar para a escola, a vítima sabe o que a aguarda. Até agora tenho usado o artigo masculino – mas o “bullying” não é monopólio dos meninos. As meninas usam outros tipos de força que não a força dos punhos. E o terrível é que a vítima sabe que não há jeito de fugir. Ela não conta aos pais, por vergonha e medo. Não conta aos professores porque sabe que isso só poderá tornar a violência dos colegas mais violenta ainda. Ela está condenada à solidão. E ao medo acrescenta-se o ódio. A vítima sonha com vingança. Deseja que seus algozes morram. Vez por outra ela toma providências para ver seu sonho realizado. As armas podem torná-la forte.
Freqüentemente, entretanto, o “bullying” não se manifesta por meio de agressão física mas por meio de agressão verbal e atitudes. Isolamento, caçoada, apelidos.
Aprendemos dos animais. Um ratinho preso numa gaiola aprende logo. Uma alavanca lhe dá comida. Outra alavanca produz choques. Depois de dois choques o ratinho não mais tocará a alavanca que produz choques. Mas tocará a alavanca da comida sempre que tiver fome. As experiências de dor produzem afastamento. O ratinho continuará a não tocar a alavanca que produz choque ainda que os psicólogos que fazem o experimento tenham desligado o choque e tenham ligado a alavanca à comida. Experiências de dor bloqueiam o desejo de explorar. O fato é que o mundo do ratinho ficou ordenado. Ele sabe o que fazer. Imaginem agora que uns psicólogos sádicos resolvam submeter o ratinho a uma experiência de horror: ele levará choques em lugares e momentos imprevistos ainda que não toque nada. O ratinho está perdido. Ele não tem formas de organizar o seu mundo. Não há nada que ele possa fazer. Os seus desejos, eu imagino, seriam dois. Primeiro: destruir a gaiola, se pudesse, e fugir. Isso não sendo possível, ele optaria pelo suicídio.
Edimar era um jovem tímido de 18 anos que vivia na cidade de Taiúva, no estado de São Paulo. Seus colegas fizeram-no motivo de chacota porque ele era muito gordo. Puseram-lhe os apelidos de “gordo”, “mongolóide”, “elefante-cor-de-rosa” e “vinagrão”, por tomar vinagre de maçã todos os dias, no seu esforço para emagrecer. No dia 27 de janeiro de 2003 ele entrou na escola armado e atirou contra seis alunos, uma professora e o zelador, matando-se a seguir.
Luis Antônio, garoto de 11 anos. Mudando-se de Natal para Recife por causa do seu sotaque passou a ser objeto da violência de colegas. Batiam-lhe, empurravam-no, davam-lhe murros e chutes. Na manhã do dia fatídico, antes do início das aulas, apanhou de alguns meninos que o ameaçaram com a “hora da saída”. Por volta das dez e meia, saiu correndo da escola e nunca mais foi visto. Um corpo com características semelhantes ao dele, em estado de putrefação, foi conduzido ao IML para perícia.
Achei que seria próprio falar sobre o “bullying” na seqüência do meu artigo sobre o tato que se iniciou com esta afirmação: O tato é o sentido que marca, no corpo, a divisa entre Eros e Tânatos. É através do tato que o amor se realiza. É no lugar do tato que a tortura acontece. “Bullying” é a forma escolar da tortura.

por Rubem Alves
Site do autor: www.rubemalves.com.br 

sábado, 30 de janeiro de 2010

Perfeição

Tudo o que o Legião transmite nessa música é digno de reflexão, pois apesar dessa música ter sido lançada no álbum Descobrimento do Brasil em 1993, sua letra continua atual até hoje!

Legião Urbana
Composição: Renato Russo, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá


Vamos celebrar
A estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja
De assassinos
Covardes, estupradores
E ladrões...
Vamos celebrar
A estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação...
Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião...
Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade...
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta
De hospitais...
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras
E seqüestros...
Nosso castelo
De cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia
E toda a afetação
Todo roubo e toda indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã...
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar o coração...
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado
De absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos
O hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
Comemorar a nossa solidão...
Vamos festejar a inveja
A intolerância
A incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente
A vida inteira
E agora não tem mais
Direito a nada...
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta
De bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isto
Com festa, velório e caixão
Tá tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou
Essa canção...
Venha!
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha!
O amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha!
Que o que vem é Perfeição!...